“— Porque choras, menina?
— Não estou chorando.
— O que estas fazendo, então?
— Estou transbordando.
— Transbordando? — Olhou-a curioso.
— Pessoas são como copos; vão acumulando tristeza, dor, saudade, mágoa… E uma hora ou outra, transbordam.”
“Era engraçado. O que eu sentia, não conseguia dizer direito, não conseguia nem ao menos mencionar. Me sentia sufocada, como se as mãos estivessem atadas. As palavras ficaram presas e um sorriso brincalhão ainda escapava dos lábios. Mas eu estava meio relutante, sabe como é. Sabia que fizera a coisa certa, mas não tinha muita noção de como deveria continuar. Arfando, um pé após o outro, segui em frente, até o sorriso tornar-se mais confiante, até que eu pudesse me bastar. Daí eu soube. Os interesses mudavam, e os sentimentos também… Mas ainda era eu. Infelizmente ou felizmente, nunca pude dizer ao certo, era eu, eu, a mesma pessoa de sempre.”
“Escolha a razão ao invés da emoção; é melhor ser frio renegando o amor, do que ser vazio por excesso de ilusão.”
“O medo de ficar só não pode ser maior do que o amor que você tem por você mesmo. Desculpe, mas você é obrigado a se amar. Ninguém ensina isso pra gente na escola, mas é a mais pura verdade. A vida acaba te mostrando isso dia após dia. A gente tem é que se amar muito, se respeitar muito pra chegar para o outro e dizer: se é isso que você me oferece, agradeço, mas recuso. Não quero esse pouco. Não quero essas partes. Não quero a sua metade. Vem inteiro, completo. Ou não vem. Ou nem te apresenta. Ou pega teus brinquedos e sai logo daqui.”
“Não nasci para ser adequada, coerente, adorável. Nasci para ser gente. Para sentir de verdade. Tenho vocação para transparências e não preciso ser interessante o tempo todo. Por isso, não espere que eu supere as suas expectativas: às vezes, nem eu supero as minhas.”